CASACOR São Paulo 2026: entre mente, coração e o Prazer de Morar
Faltando poucos dias para o encerramento da CASACOR São Paulo 2026, fica mais fácil enxergar o que realmente marcou esta edição. Não são as cores, nem uma peça de design específica. É a forma como muitos arquitetos voltaram a olhar para a casa como um lugar para viver, e não apenas para impressionar.
Pelo segundo ano no Parque da Água Branca, a mostra encontrou um cenário que dispensa excessos. As construções históricas, as árvores centenárias e os caminhos ao ar livre fazem parte da visita tanto quanto os ambientes. Em muitos projetos, a paisagem entra pela arquitetura e define a experiência de quem percorre os espaços.
Em vez de ambientes construídos para uma fotografia, surgem casas que poderiam existir fora da exposição. A luz natural muda completamente um cômodo ao longo do dia. Os jardins prolongam as áreas internas. A marcenaria organiza os ambientes sem chamar mais atenção do que deveria. Há menos cenografia e mais soluções pensadas para durar.
O que chamou atenção nesta edição
Quem espera sair da CASACOR com uma lista de tendências talvez se surpreenda.
É claro que algumas escolhas aparecem com frequência. Madeiras naturais, pedras brasileiras, tecidos, obras de arte e vegetação ocupam praticamente toda a mostra. Mas elas nunca aparecem do mesmo jeito.
Enquanto um ambiente aposta em tons profundos e revestimentos têxteis, outro trabalha quase em silêncio, deixando que a luz e as proporções conduzam a experiência. O resultado não é uma estética única, mas diferentes interpretações sobre conforto, escala e permanência.
Além do que definir o que estará em alta nos próximos anos, a edição de 2026 parece lembrar que boas casas continuam sendo construídas pelos mesmos princípios: espaços bem resolvidos, materiais honestos e uma relação natural entre arquitetura e paisagem.
Quando a CASACOR continua fora da mostra
Uma das partes mais interessantes da visita começa justamente quando ela termina.
Muitos dos profissionais presentes na CASACOR também assinam residências que fazem parte da paisagem de São Paulo. Os ambientes expostos funcionam quase como um resumo daquilo que eles desenvolvem em projetos reais.
É nesse momento que a mostra ganha outra leitura. O visitante deixa de procurar tendências e começa a reconhecer assinaturas.
Nildo José: memória transformada em arquitetura
Na Casa Coral Celeiro Alvorada, Nildo José parte de uma homenagem ao pai para construir um ambiente onde arquitetura e memória caminham juntas. Livros, fotografias, objetos pessoais e uma imponente escada em madeira organizam o espaço, enquanto a marcenaria desenhada sob medida reforça a atmosfera acolhedora do projeto.

Essa linguagem aparece em uma cobertura duplex da curadoria da Jardins & Co., também assinada pelo arquiteto.

Cobertura | Jardim América | 205 m² | 4 Suítes | 4 Vagas
O living com pé-direito duplo é organizado por uma escada escultórica que, assim como no ambiente da CASACOR, assume o protagonismo da arquitetura. Ao redor dela, os espaços se distribuem com fluidez, valorizando a amplitude e a entrada de luz natural.
A combinação entre mármore, madeira e vidro, presente na suíte master, reforça outra característica recorrente da produção de Nildo José: materiais utilizados com precisão, onde cada elemento contribui para construir uma arquitetura elegante, sem excessos.
Dado Castello Branco: espaços feitos para serem vividos
No Apartamento Deca, Dado Castello Branco e Guilherme Castello Branco imaginaram um apartamento de 280 m² inspirado em um morador cosmopolita, alguém que poderia viver em São Paulo, Nova York, Londres ou Lisboa sem abrir mão do conforto e da personalidade. A arquitetura preserva referências clássicas, como o pé-direito generoso e as grandes aberturas em arco, enquanto arte, design, livros e música constroem uma atmosfera acolhedora.

Na curadoria da Jardins & Co., essa mesma forma de projetar aparece nesta residência assinada por Dado Castello Branco, implantada em um terreno amplo com paisagismo de Rodrigo Oliveira.

Casa | Cidade Jardim | 561 m² | 4 Suítes | 6 Vagas
Assim como no ambiente apresentado na CASACOR, a relação entre arquitetura e paisagem organiza toda a experiência da casa. Grandes aberturas conectam os ambientes sociais à varanda e ao jardim, enquanto o living com lareira, o home theater e a sala de jantar integrada à área gourmet criam uma planta voltada para a convivência.
No exterior, piscina, sauna e academia são envolvidas pelo paisagismo, prolongando a sensação de continuidade entre a casa e o verde. Na área íntima, a suíte master reúne walk-in closet em madeira, banheiro revestido em mármore e vista para a copa das árvores elementos que reforçam uma característica recorrente na produção do arquiteto: espaços amplos, iluminados e pensados para serem vividos diariamente.
Uma visita que continua pela cidade
Quando a CASACOR fecha as portas, os ambientes deixam de existir. Mas as ideias continuam presentes na obra de muitos dos arquitetos que passaram pela mostra.

Apartamento | Jardim América | 202 m² | 2 Suítes – Reformado por Nildo José
Para quem procura uma residência assinada, a visita ganha outro significado. Ela ajuda a reconhecer detalhes que normalmente passam despercebidos: a maneira como um arquiteto trabalha a luz, desenha a circulação, aproxima a casa do jardim ou escolhe os materiais que vão envelhecer junto com a arquitetura.
É esse olhar que faz a diferença entre acompanhar uma mostra e entender a trajetória de quem projeta algumas das casas mais interessantes de São Paulo.
Créditos das imagens: CASACOR São Paulo 2026
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